Marxismo e Liberdade
Marxismo e Liberdade
O marxismo hoje em dia foi reduzido a um mero programa de melhorias para a classe trabalhadora, a uma defesa de uma reorganização da economia. Como se não bastasse, o socialismo é entendido como um regime social de centralização estatal dos meios de produção, e assim afirmam mesmo o que se dizem marxistas. Tais deformações são um duro golpe ao marxismo, cuja a verdadeira essência é um anseio impaciente pela liberdade.
Como já abordamos neste site, o escopo final do marxismo, sua essência fundamental, é a luta contra a alienação. Alienação significa que o homem está dominado por coisas que são frutos de seu trabalho, de sua criação. As relações de mercado, a divisão do trabalho, as instituições sociais, religiões, normas de gênero, etc, criações humanas, adquirem independência, uma aparente existência autônoma, e passam a oprimir o homem. O marxismo busca por novamente sob o controle as coisas que o homem criou e agora o oprimem. Desalienação é a palavra chave, sinônimo de liberdade. O homem só pode ser livre se não está alienado.
Como Milcíades Peña uma vez afirmou, se o marxismo fosse apenas um programa de melhorias para os operários, não representaria grande perigo para as burocracias. De fato, visto que o marxismo é inimigo de qualquer tipo de submissão, seja a submissão a um senhor, ao burguês ou ao Estado, os burocratas jamais podem resgatar o aspecto libertário do marxismo, pois seria o próprio fim das organizações burocráticas. O marxismo não se reduz jamais a lutar por melhores condições de trabalho, salários mais "justos", direitos sociais, etc, confiando em uns ou outros partidos que dizem representar a classe trabalhadora. O marxismo é a luta pela emancipação total do gênero humano.
O socialismo e melhores condições de trabalho e vida são apenas meios para o fim real e objetivo do marxismo. O socialismo e melhores condições de trabalho e vida são importantes porque constituem a base material que permitem ao homem se elevar, mas nem por isso constituem um fim em si mesmo.
"O marxismo quer homens plenamente humanos, homens livres de coisas e fetiches opressores. Melhorar o nível de vida é um passo absolutamente necessário, e o primeiro passo em direção a esta liberação do homem, mas é apenas o primeiro passo."
Pois é nisso que consiste o marxismo, uma luta constante contra as forças que dominam e oprimem o homem. Uma luta pela libertação, pela liberdade do gênero humano. O socialismo busca, pela primeira vez na História, conduzir o homem do reino da necessidade para o reino da liberdade. Marx diz "O reflexo religioso do mundo real só pode desaparecer quando as relações cotidianas da vida prática se apresentam diariamente para os próprios homens como relações transparentes e racionais que eles estabelecem entre si e com a natureza. A figura do processo social de vida, isto é, do processo material de produção, só se livra de seu místico véu de névoa quando, como produto de homens livremente socializados, encontra-se sob seu controle consciente e planejado."
É a inauguração do reino da individualidade livre sobre a terra, de indivíduos que, livremente associados, são capazes de exercer suas potencialidades e cooperar uns com os outros. Um mundo onde, de fato, o homem seja verdadeiramente homem.
"No marxismo, todas as outras questões são apenas meios para este fi m. O desenvolvimento material das forças produtivas e a elevação do nível de vida são importantes porque constituem a base material para a desalienação do homem. A liquidação do capitalismo é fundamental, pois constitui, por sua vez, a condição básica para um maior desenvolvimento das forças produtivas. A ascensão da classe operária ao poder é imprescindível, pois constitui o requisito básico para a liquidação do capitalismo. Tudo isto é fundamental e é importante, como também o são os satélites, as grandes centrais hidrelétricas, os tratores etc. Mas para o marxismo esses são meios e nada mais. Pois o que o marxismo quer - a essência do marxismo - é um novo tipo de relação entre os homens, na qual os homens não sejam dominados por coisas nem fetiches; na qual o homem seja o senhor absoluto, dono soberano de suas faculdades e seus produtos, e não escravo da mercadoria e do dinheiro, da propriedade e do capital, do Estado e da divisão do trabalho."
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